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17 de mai. de 2010

Devia ter...




Epitáfio  Titãs 
Composição: Sérgio Britto

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer

Devia ter arriscado mais
E até errado mais

Ter feito o que eu queria fazer...
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...

O acaso vai me proteger...


Neste final de semana, passei uma mensagem para a galera da Vila Yolanda sobre missões.
Neste sentido tentei tratar de vocação, chamado, trabalho, emprego e carreira.

O texto foi: os 7 primeiros versos do capítulo 4 da carta de Paulo ao jovem Timóteo.

Vamos lá!

Eu creio que a música do Sérgio Brito (logo acima) conta a história de um cara, esse cara chega ao fim da vida ou sabe que este fim está próximo e começa a se lamentar, me traz a sensação de estar arrependido da vida que teve, traz a ideia de querer voltar e mudar tudo, fazer de outro jeito, repensar seus conceitos e valores para que possa viver melhor tendo agora a consciência da brevidade da vida.

Isso é infelizmente uma grande realidade para muitas pessoas, basta ir a um corredor de uma UTI e constatar o fato: A grande maioria gostaria de ter feito algo mais, ter visto o sol nascer e se por, se importado menos  com problemas pequenos, ter complicado menos, aceitado as pessoas como são, entender a vida como ela é, e esse lamento se estende por muitos, e para minha tristeza, até muitas pessoas conhecedoras do Cristianismo fazem parte dessa lista.

A ideia que queria tratar com a galera era sobre nossa vocação, nosso chamado, o que estamos pensando sobre carreira, trabalho e emprego e o que isso vai nos proporcionar no futuro, quando olharmos para trás, o que diremos de nossa rápida passagem por esse planeta, quantas pessoas conhecemos, quantos foram mudados com a mensagem que pregamos com as nossas vozes e o conteúdo do nosso caráter, quantos são os que ficaram pelo caminho, quem esquecemos, quantos ajudamos, quantas vezes choramos, brincamos, quantas vezes rimos, quantos gibis da Mônica nós lemos para os nossos filhos, quantas histórias contamos, quantas emoções sentimos.

E eu, sinceramente sou apaixonado pelo conteúdo da carta que o Paulo escreveu ao Timóteo, ele diz e deixa claro: "estou chegando ao fim da minha vida, eu sei, chegou a minha hora, mas..."

Versículo 7: Combati o bom combate, encerrei minha carreira, guardei a fé.

Esse verso é um contraponto à música do Sérgio Brito, Paulo não se lamenta, ao contrário! Ele diz: Fiz o que tinha que ser feito, não me arrependo de nada, estou encerrando minha passagem por essa terra com minha missão cumprida, e minha fé, essa está intacta!

O que escolhemos fazer como carreira, o curso da faculdade, o estágio, o emprego na multinacional precisa ser feito de acordo com o que arde o seu coração, isso é vocação, isso é um chamado. Seu coração pode arder por medicina, e Deus está chamando os médicos, pode ser por engenharia, e Deus está chamando os engenheiros, Deus está chamando os advogados, padeiros, pedreiros, mecânicos, eletricistas, Deus Chama o gari, Ele chama o profissional de T.I., Deus está chamando funcionários públicos, donas de casa, estudantes...

Deus está chamando pessoas

e Ele vai usar essas pessoas,

e elas no fim da sua vida não ficarão se lamentando, nem pensando no que poderiam ter feito,

elas vão dizer:

Combati o bom combate, encerrei minha carreira, guardei a fé!

Isso é missões, pura, dá boa!

Hábraços.

Kleber Pinheiro.

11 de mai. de 2010

Música e repertório e o tripé para manter-se em pé



Princípios, valores e cultura.

Sei que é legal cantar músicas conhecidas pela galera, também sei que é melhor tocar músicas que estão na rádio, pois estas estão na boca do povo. Temos uma tendência natural para este lado e elas facilitam o trabalho do músico e a aceitação torna-se mais eficaz por parte dos ouvintes. Por outro lado, existe a grande possibilidade de apresentarmos músicas que estão fora dos 3 itens que coloquei acima. É óbvio que não poderei fechar o assunto, mas serve para uma reflexão inicial.

Princípios Bíblicos
Toda e qualquer música precisa passar pelo crivo bíblico, não existe a possibilidade de apresentar uma música seja ela da natureza que for, sem que exista uma base sólida para que as verdades dessa música sejam declaradas ao alto o bom som, pois isso irá refletir diretamente no que cremos, como cremos e em que circunstâncias cremos.

E é bom frisar, que hoje em dia, estamos sofrendo uma "judaização" do Cristianismo que assombra qualquer um, ritos e passagens específicas do povo israelita estão invadindo nossos cultos, nossas músicas e nossas mensagens. É preciso deixar claro o que (ou quem) somos: brasileiros e não Judeus, gentios (confins da terra), não há necessidade de circuncisão, somos salvos pela graça que nos alcançou na nossa própria realidade. Nossas músicas precisam refletir os princípios do cristianismo: a salvação, as promessas da vinda de Cristo, o novo nascimento, a porta estreita, as tempestades que sempre hão de vir, o repartir do pão e por aí vai. 

Valores Pessoais
Toda e qualquer música precisa refletir nossos valores ou pelo menos na busca que temos dos valores que ela (música) se propõe ou sugere, exemplo: Se cantamos: "Tudo o que tenho, tudo o que sou, entrego a Ti Senhor", precisamos pensar nas implicações que essas afirmações tem com relação aos nossos valores pessoais e o que isso quer dizer no seu absoluto sentido, não posso cantar por cantar, simplesmente porque a letra diz. A letra pode não refletir no que tenho como proposito pessoal de vida, pode não corresponder aos meus valores.
Você vai pensar agora "Então não poderemos cantar mais nada!?", (eita!) certo e errado:

Certo se buscarmos nas listas de músicas que estão no TOP de audiência e simplesmente repetimos a letra como se fosse realmente o que queríamos dizer, e isso serve para quem canta e para quem toca, não há diferença. Precisamos cantar o que temos no coração e o que vivemos, se uma dessas músicas reflete essa realidade, OK, ela entra na lista.
Errado se buscarmos músicas nos porões dos músicos brasileiros esquecidos, que fazem músicas que refletem sua própria realidade, nunca escondendo suas fraquezas, ou simplesmente recontando uma parábola ou um salmo, sinceramente tenho ido muito nesses porões, pois essas músicas falam de uma realidade muito mais próxima da minha do que outras. Não quero dizer que o certo é o que eu ouço, mas o certo é que condiz com os meus e o seus valores pessoais.

E outro fato relevante, é o assunto de música secular e música cristã, eu particularmente não tenho essa divisão, a meu ver, existem músicas boas e músicas ruins, isso nos dois ambientes (cristão/secular). E se isso é um valor que tenho na minha vida pessoal, não há motivos para não apresentar esse mesmo valor no momento de culto a Deus (essa é outra discussão, mas...). Estou falando de cantar músicas que reflitam nossos valores, e pode ser uma música do João Alexandre ou do Herbert Viana, eita! pegou pesado Kleber! Pois é, peguei mesmo, e muitos vão achar tudo isso muito estranho, e vão dizer que isso é julgo desigual, luz/trevas, etc.. Sei de tudo isso e se quiser podemos conversar com mais detalhes sobre esse assunto, pois podemos entrar no assunto que chama muito a minha atenção: Graça Comum, mas podemos falar sobre essa graça em outra oportunidade.

Cultura Brasileira
O Brasil é um imenso país, cheio de valores culturais e folclóricos, na mesma medida a música brasileira é cheia de valores e arte. Sou a favor das igrejas adotarem mais ritmos brasileiros, músicas que falem com o povo através das letras/melodias/harmonias/ritmos de nossa própria terra. Temos tantos valores aqui em nosso país, mas na mesma proporção os "artistas" do mundo gospel fazem mais sucesso com versões da terra do Tio Sam, músicas importadas e que normalmente refletem aspectos culturais de fora do nosso arraial.
Sugiro que façamos música do nosso jeito, com poesias que falem ao coração do povo brasileiro como um todo, sugiro uma reviravolta (que dá muito trabalho e por isso gere um falta de motivação nesse sentido) na liturgia musical de nossas igrejas, vamos falar de Deus como brasileiros que somos, do nosso jeito, do jeito que está em nosso sangue, vamos falar da graça com graça e liberdade, explorando nossa arte e cultura, isso gera em nós um compromisso maior com o Reino, pois reflete o que sentimos por nossa pátria.


Bom, por enquanto é isso, todos vocês são livres para comentar e discordar de tudo ou de partes. Sugiro que aceitem o desafio de mostrar algo "novo" para nossas igrejas ou pelo menos inovador. Mostrar uma música que seja relevante em relação ao Cristianismo e condizente com nossa cultura popular, uma vida cristã verdadeira, um jeito "fora da caixa" de anunciar a Cristo através da música e com nossos talentos.

Abraço.

Inté.

"Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado."
I Cor. 2:2

23 de abr. de 2010

Primo-Rico X Primo-Pobre.

Neste feriado do dia 21-04, estivemos em Patriarca levando uma mensagem para os jovens, falei sobre os motivos pelos quais pessoas de uma mesma família podem tomar rumos totalmente diferentes, com base na vida de dois irmãos de um mesmo pai, mas diferentes no modo de pensar e de se comportar.

Duas maneiras de estar perdido e apenas uma maneira de estar salvo.

Galera bacana de Patriarca, nos receberam muito bem.
Usei a música do Stênio Marcius - Fim de Tarde.

 Um Mobi-Abraço a todos.

Inté!

14 de abr. de 2010

Deixo-vos a paz...

Ele vinha feliz e contente com seu boné “zerado”. Não era um boné como os outros. Era de um time de basquetebol americano, NBA, um dos mais respeitados entre os garotos de sua idade. Tinha, então, doze anos. E todo garoto de doze anos gostava de boné. Quem não usava, de um jeito ou de outro, parecia admirar aqueles que o faziam. Um boné de qualquer time da NBA ficaria em torno de seus dezessete reais, num tempo em que o real valia quase três vezes mais do que vale hoje. Conseguira por sete! O avô lhe dera cinco, os outros dois surgiram pela obra e graça de momentos felizes. De fato, o preço fora seis e noventa, mas onde se contam dez centavos de troco nessas alturas?


Merecia uma espécie de comemoração. Um boné desses, lindo, novinho, cheio de moral, nesse preço, era – no mínimo – uma façanha! Ainda mais se pensasse no quanto era difícil se obter dinheiro por aqueles dias de governo FHC.

De repente, o inesperado, o absurdo acontece: num momento em que não havia quem o defendesse, em sua própria quadra, passam dois sujeitos perversos, desocupados e – como não poderia deixar de ser – muito mais velhos, na faixa de seus vinte anos.

- Me dá esse boné, garoto!

A voz e a frase, ambas tão duras, penetram a alma, e o menino sente o corpo gelar. Sem ação ou reação, vê-se, numa fração de momento, humilhado, invadido, agredido fisicamente e – o que é pior – sem o boné. É então que se percebe criança, fraco, indefeso, no lugar do adolescente que até então julgava ser. As lágrimas vêm com força: irrompem incontrolavelmente. Surge um mal-estar, seguido de um terrível sentimento de incapacidade, fraqueza, raiva, culpa, injustiça, vingança, tudo ao mesmo tempo... a dor moral de se ver humilhado dói mais do que a dor física. A perda da autoconfiança aflige mais que a do boné. Não sabe explicar o que sente. Tudo faz um turbilhão de pensamentos.

Cenas assim marcam a história da gente. Quem, quando criança, não se viu algum dia numa situação parecida de alguma forma como essa? Um momento em que estivesse assustado, fraco, indefeso, humilhado...? Quem não foi algum dia vítima da violência ou do abuso de força? Qual de nós não leva para a vida adulta experiências de medo ou culpa trazidas da infância. Elas ficam, não importa quantos anos de idade você tenha.

Mas, para a infelicidade daquele que veio para roubar, matar e destruir, o garoto era um filho de Deus, alguém que vivia debaixo da graça do Pai. O boné se fora, mas a cabeça estava lá e, dentro dela, a mente que se lembraria da Palavra “Posso todas as coisas nAquele que me fortalece.” ou ainda “Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus.” Mais tarde saberia por que o Senhor não o livrara daquela momentânea tribulação. Dentro dele, havia algo que o ladrão não conseguira roubar: a paz.

Zazo

Retirado do site: www.ceunaboca.com.br/cronicas.htm

17 de mar. de 2010

Preito aos meus amigos.


Fabrício Carpinejar - Preito aos meus amigos.


O amigo é aquele que tem todos os motivos para desistir de você e não desiste.

Você fez por merecer a separação. Exagerou. Afastou o abraço, gritou que ele não o compreende. Mas o amigo entende até na incompreensão. Aguarda entender.

Eu preciso de um amigo que não me renuncie quando já desisti. Que me lembre de não desistir. Que seja insistente como o esquecimento dos velhos. Que desperte o meu humor no desespero, que se desespere com a ausência de notícias.

Um amigo que não numere as páginas do livro. Toda página pode ser a mesma.

Um amigo que sopre meu rosto perto de sua boca, como uma gaita de mão.

Um amigo capaz de esconder seu amor para proteger a amizade e de me aconselhar a seguir o que ele tinha vontade.

Um amigo que desconheça minha infância para repeti-la, que conheça minhas dores para não tocá-las, que assobie minha alegria para alardeá-la. Que não me torture com os meus defeitos. Que me perdoe por não ser como ele. Aliás, que me agradeça por não ser igual a ele.

Um amigo que não use meus segredos para ganhar outros amigos. Um amigo que abra o vidro do carro para apanhar o resto do céu. Que cante alto no volante no momento em que ansiava pelo silêncio e me obrigue a dispensar a timidez para desafinar junto. Na estrada, o vento também canta de olhos fechados.

Um amigo com cheiro de cortina. Isso: cheiro de cortina, com a experiência de enrolar várias e várias vezes o corpo na cortina. E que tenha recebido beijos dos pais com o tecido arregalado no rosto. Quem se escondeu na cortina deu giros dentro de si e de seus problemas e aprendeu a regressar.

O amigo do primeiro desejo, não do último.

O amigo que não me espera no recreio, o amigo que me espera no final da aula.

O amigo que é a haste do mar, que não fica de pé no barco, para não desequilibrá-lo.

Não quero um amigo que fuja na primeira ofensa, que se isole ofendido num canto, amarrado no orgulho, condicionado às palavras.

Um amigo que não fale por mim, que fale através de mim.

Não quero um amigo que me ofenda porque não atendi suas expectativas.

Amigo não tem expectativa, tem esperança. O amigo vai procurá-lo não sendo necessário. Vai aumentá-lo enquanto está diminuído e vai diminuí-lo para preveni-lo da ambição.

O amigo é do contra ao seu lado. O amigo dirá as verdades por respeito, não se eximirá de opinar, tudo com zelo e contenção.

Não abandonará a corda da pandorga ainda que ela sirva de fio telefônico para chuva.

Tive amigos que se fecharam, desapareceram, que me trocaram por uma fofoca, que chegaram à porta e recuaram ao portão. Esses amigos não foram amigos, se é amigo só depois da amizade.

Depois de sofrer com a amizade.

O amigo é como um irmão, que se briga feio, se discute aos pontapés e palavrões e volta a se falar. Volta a se falar porque é irmão.

O amigo sempre volta. Pensando bem, não volta, nunca saiu do lugar.

Ele é a rua que atravesso para chegar em casa.

Aos meus amigos...

1 de mar. de 2010

Gosto de ficar doente.


Pensando em pessoas que sofrem, em países destruídos por catástrofes naturais e ações paleativas quando não é possível caminhar com as próprias pernas, alguns pensamentos vieram em minha mente.

O “Eu” aqui é metafórico.

Acontece com todos, é sempre do mesmo jeito, a vida toda em todo o tempo e em todas as circunstâncias, você assim como eu já deve ter passado por isso, veja...

Gosto de ficar doente...

Porque assim as pessoas me visitam com mais frequência.
Sou tratado com respeito e voz branda.
Me chamam mais vezes de “campeão” e “vencedor”.
Me levam comida na cama.
São mais gentis e prestativos.
Gestos de carinho são mais frequentes.
Palavras doces são mais ouvidas.
Recebo mais atenção.
Tenho a sensação de ser mais valorizado.
Todo cuidado parece pouco.
A vida parece ser mais fácil.
Me pedem mais vezes para passear de mãos dadas.
Me deixam assistir meus programas favoritos sem me questionar.
A paciência parece não ter fim.
Caminhar na areia fica mais suave.
Sou colocado no centro das atenções.
As outras coisas podem esperar.
Não existem outras prioridades.
Me perguntam se estou bem e não ligam se fico em silêncio.
Me chamam de lindo(a) mesmo com uma aparência horrível.
Não existe burocracia de sentimentos.
Não me negam cobertores e travesseiros.
O colo nunca é negado.
Assim como o sorriso.
Os cheiros não importam.
Nunca fico ou me sinto só.

Porque a vida não pode ser assim, sem termos que ficar doentes, porque o socorro chega apenas quando parece tarde demais, porque não fazemos isso tudo todo o dia com todos a todo o momento.

Porque enviamos socorro ao Haiti e Chile apenas quando esses estão sem para onde ir?

Vamos viver, seja qual a for a circunstância!
Filipenses 1:27

Festa do Chapéu.